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  • Por
    Bruna Maldonado
  • Publicado em 20/02/2022

Como o câmbio do dólar americano afeta as empresas no Brasil?

Ô saudade de quando o dólar americano não preocupava tanto a gente, né? Assim como as Pessoas Físicas, as empresas também estão sujeitas ao câmbio internacional e todos (juntos e shallow now) temos que ficar de olho nessa variação que influencia (e muito) as finanças das corporações.


Como ocorre a alta do dólar?

A valorização ou a desvalorização da moeda, não cabe apenas ao Dólar Americano. É possível acompanhar as variações de todas as moedas registradas no mundo para compreender tal dinâmica.

No entanto, devido a expressividade do Dólar Americano, ficar de olho nas movimentações desta moeda é estratégico, seja você empresa ou não.

Neste contexto, todas as moedas registradas do nosso planeta estão sob a regência da taxa de câmbio – que nada mais é senão um método de comparação entre moedas, que matematicamente define o peso de cada uma, se comparado à outra. Na prática, esta é a forma que usamos para entender quantos Reais brasileiros são necessários para comprarmos um Dólar americano.

O Índice de valorização de uma moeda está, sobretudo, relacionado ao nível de importação e exportação de um país, e de forma sucinta e direta: importar mais e exportar menos causa a desvalorização da nossa moeda interna, o que no mercado financeiro é chamado de déficit comercial (e o contrário, superávit comercial).

Quais fatores influenciam a alta do Dólar Americano?

Para compreender quais aspectos impactam na valorização de uma moeda, o que inclui o Dólar Americano, três pilares macros precisam ser observados. São estes:

Mudanças na balança comercial

As atividades da balança comercial se apoiam nos níveis de importação e exportação de cada país.

Neste sentido, quanto maior a demanda por uma determinada moeda, mais valorizada a mesma estará.

De forma mais simples, quanto mais uma empresa brasileira exporta seus produtos/serviços, às empresas estrangeiras fazem o pagamento em Dólar americano, o que eleva a entrada da moeda no país e consequentemente reduz o seu valor.

Sob uma perspectiva diferente de compreensão, há o fato de que algumas empresas compram Dólar americano para pagar seus fornecedores internacionais. Logo, a maior compra em dólares reduz a sua oferta, diminui sua quantidade no mercado e aumenta o seu preço – é a famosa lei da oferta e da demanda.

Gastos no exterior

O índice de turismo também é um dos principais fatores observados na valorização de uma moeda. 

Assim sendo, quanto mais norteamericanos visitam o Brasil e trocam Dólares por Reais, a concentração da moeda Dólar em nosso país aumenta, desvalorizando portanto a mesma (e o contrário também ocorre de igual maneira).

Taxa de juros (Selic)

A taxa Selic é aplicada pelo governo brasileiro como base de juros para empréstimos, investimentos e financiamentos.

É justamente quando a taxa Selic está alta que o mercado fica favorável para investidores estrangeiros colocarem recursos em aplicações financeiras no Brasil, pois o rendimento será maior.

Já quando a taxa Selic cai, o mercado brasileiro deixa de ser atrativo para investidores estrangeiros, contudo torna o mercado mais interessante para abertura de empresa no país – uma vez que empréstimos e financiamentos estão mais em conta.

Da mesma maneira, a baixa da taxa de juros americana é benéfica para o Brasil – uma vez que torna o Brasil mais chamativo para os investidores.

Como a variação do Dólar Americano afeta as empresas no Brasil?

O Dólar americano é utilizado como referência para operações internacionais, em todo o mundo.

Tal moral é dada à moeda devido à aspectos relevantes como a forte economia dos estados unidos, o fato de os Estados Unidos serem devedores confiáveis e a própria estabilidade da moeda, que não possui histórico de quedas relevantes inesperadas.

Como uma faca de dois gumes, a alta do Dólar torna os produtos brasileiros mais atrativos no exterior, entretanto, as empresas que importam do Brasil precisarão aumentar o preço dos seus bens.

Além disso, se da falta de perspectiva econômica no Brasil durante a alta do Dólar, os investidores preferirão investir na compra da moeda (por ser mais seguro) do que investir em um negócio brasileiro.

A variação do Dólar Americano também impacta diretamente no preço final dos produtos no Brasil. Para explicar de forma didática vamos esmiuçar a questão do aumento do preço de pão e derivados de trigo, no mercado:

  • O Brasil produz anualmente cerca de 5,4 milhões de toneladas de trigo, anualmente;
  • Entretanto, o Brasil consome cerca de 11 milhões de toneladas de trigo, por ano!
  • Ou seja, falta produção de trigo no Brasil e por isso é necessário importar (neste caso, principalmente, da Argentina);
  • Ao importar o trigo que falta, tal commodity já entra no Brasil cotado sob a taxa do Dólar – que se estiver alta, faz o preço dos produtos que levam trigo em suas receitas, subir).

Já em visão reversa, com no exemplo do caso de exportação de carne para a China, quando a cotação do dólar favorece a exportação, o preço interno é afetado pela escassez do produto em solo nacional.

É interessante notar a correlação que existe entre o dólar americano e a IBOVESPA, na bolsa de valores – quando há alta do dólar, a IBOVESPA está em baixa, e o contrário também ocorre.

Por isso, indiretamente a oscilação da moeda norte-americana também influi em investimentos de renda fixa, atrelados ao IPCA. Assim como no custo de vida e na valorização dos bens, em mercado nacional.


Esperamos ter aberto ensejo para que a sua empresa mantenha-se de olho nas variações do dólar e, mais do que isso, que implemente estratégias para acompanhamento e tomada de ação, também com base neste indicador.

Boas análises por aí e conte com a gente 🙂

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